terça-feira, 27 de junho de 2017

A arte de ser Theo de Barros


Por FERNANDO LICHTI BARROS

Recebeu o cheque e saiu em silêncio. 

Aquilo era tudo o que a arrecadadora de direitos autorais tinha a dar a ele, o compositor capaz de transformar uma  cena observada em Copacabana, na feira da Rua Bolivar, em "Menino das Laranjas", que Elis Regina gravara em 1965. 

Era um cheque de R$ 65 pela obra que incluía  a música escrita sobre versos de Geraldo Vandré e cantada em 66 por Jair Rodrigues no Festival da Record. “Disparada” era o nome da canção.

Ex-violonista do Quarteto Novo, ex-produtor de discos da Odeon, da Eldorado e da Marcus Pereira, o artista agraciado com tão escassos patacos vinha de longa caminhada, do tempo em que tocava baixo de três cordas na boate Lancaster, na Rua Augusta, lá pelo começo dos anos 60.

Pouco depois assinaria a direção musical do Teatro de Arena, e, entre 1972 e 80, criaria cerca de três mil jingles e  trilhas para cinema e publicidade. Numa delas descreveu com orquestra e cordas o que viria a ser um clássico da propaganda -  a decolagem de um avião da Vasp. 

Deixou a área no final dos anos 90, quando a frieza da tecnologia passou a substituir cordas, percussão e sopros. Não, aquela estética definitivamente não era para ele. 

- Se você botar um elefante tocando teclado, aceitam do mesmo jeito.

Distante da sofreguidão, da busca desesperada pelo sucesso, do vale-tudo imposto por esse tal mercado, em 2017 lançou "Tatanagüê”, com músicas de sua autoria e letras de Paulo Cesar Pinheiro e Gilberto Karan. 

Theo de Barros pratica a arte de continuar sendo ele mesmo.

1976 - VASP - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=o_WpoPlHsec


Elis Regina-Menino das laranjas - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=v2qT2vEqBv8




Quarteto Novo - Vim de Santana - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=snwlE_51bME



https://www.youtube.com/watch?v=Rc98iIyebcA

2 comentários:

  1. Eu estava tocando no Roda Viva e durante a noite me pediram Disparada. Toquei e como sempre o
    pessoal foi ao delírio.
    Ao final da música, chegou em mim uma mocinha que me disse:
    -essa música é do meu pai...
    Quase caí pra trás. .. Era filha de Theo de Barros... Quanta honra!
    Parabens Nando. Mais um artigo seu que me levou às lagrimas com as lembranças da minha juventude... Voe VASP... Esse jingle tinha uma razão de ser bom desse jeito!
    Grande Theo de Barros!
    Grande Nando Barros

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  2. Sou fã do Théo, como instrumentista, cantor, compositor e arranjador. E assim como eu, de raiz alagoana.

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