O canto de um pássaro faz
Roberto voltar no tempo. Ele retrocede quase 60 anos e enxerga um adolescente que
desperta com o trinado da corruíra no bairro paulistano do Canindé.
Agora, o bichinho
voltou a aparecer por lá. Faz solos melodiosos. E Roberto, de repente, retorna
aos 15 anos, à época em que ao cotidiano bucólico acrescentava de rock.. Era uma novidade vinda dos Estados
Unidos, logo reproduzida no Brasil por cantores e conjuntos iguais àqueles de
que Roberto participou – The Vampires e The Jet Blacks.
Na esteira da
influência norte-americana, levado para a gravadora Odeon por Tony Campelo,
Roberto gravou “Oh! Eliana” em 78 rotações e virou Bobby. Bobby de Carlo.
Cantar era bom, mas,
para ele, tocar era melhor ainda. Tocar violão, guitarra, contrabaixo com o
saxofonista Nestico e o pianista Wanderleyzinho, fazer bailes, viajar de navio
para o Amazonas, a Bahia, Argentina e Uruguai com o grupo Bossa News. Tocar jazz,
samba-canção, bossa-nova, tudo o que fosse preciso para acompanhar ao baixo
acústico, com os dedos protegidos por tiras de esparadrapo, o pianista Mario
Edson no bar Estão Voltando as Flores, no subsolo da Galeria Metrópole.
Havia em Bobby, também,
a sede de aprender. Era o que o levava ao bairro do Belenzinho, onde morava o
instrumentista, cantor e arranjador Zé Bicão. Ou, ainda, à Casa Bevilacqua, no
centro da cidade, onde Johnny Alf defendia algum dinheiro escrevendo partituras
para impressão e venda.
- Você tem um bom
ouvido – disse-lhe uma vez Johnny, antes de presenteá-lo com uma das peças
comercializadas na loja, a canção Disa.
Foi a musicalidade notada
pelo precursor da bossa-nova que proporcionou a Bobby a coragem de tocar de
improviso com Dick Farney e Sadao Watanabe, no Clube dos Amigos do Jazz, o
Camja. Lá mesmo, também por acaso, ele acompanhou ao contrabaixo o pianista
Tenório Jr, uma referência do samba-jazz. Tornaram-se grandes amigos.
Enquanto isso, fora dos
limites do Camja, a Jovem Guarda desfrutava de imensa aceitação popular. Bobby
resolveu surfar naquela onda. Em 1966, assinou contrato com a Rozenblit,
fábrica de discos sediada em Recife.
Escrito por Wagner
Benatti, guitarrista de Os Megatons - grupo que o acompanhou na gravação-, Tijolinho, um iê-iê-iê prenhe de candura,
fez dele novamente um cantor. Um canário, como diziam os músicos nas tantas
noites que Bobby atravessou em bailes e boates.
Canário, corruíra. Tem
passarinho voltando ao Canindé.
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| O presente de Johnny Alf |
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| Multiinstrumentista, amigo de Tenório e Nestico |
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| Disa: presente de Johnny Alf |
Lá mesmo, também por acaso, ele acompanhou ao contrabaixo o pianista Tenório Jr, uma referência do samba-jazz. Tornaram-se amigos.





Fernando, seu site é fantástico, continue e vamos encontrar algum desses personagens pra um documentário... to a disposição
ResponderExcluirAos doningos, em nossa www.radioonlinedobrasil.com.br, no programa: JOVEM GUARDA, SEMPRE JOVEM, tocamos o Bobby de Carlo e tantas outras feras que fizeram parte desse movimento, que tomou conta do Brasil e ditou moda! Parabéns, Bobby de Carlo, pelo seu recente aniversário! Que Deus te proteja, SEMPRE!
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