segunda-feira, 1 de junho de 2026

Lenhari, de Mogi ao Canadá

  Por Fernando Lichti Barros

Foto: Paulo Rapoport

Duas horas e meia no estúdio, e surgiram cores, lugares, uma organicidade que parecia resultante de longos ensaios, caso tivessem eles acontecido.

Fazia algum tempo, pouco mais de cinco anos, que, morando em São Paulo, João Lenhari vinha matutando a respeito da rotina de coadjuvante em shows de cantores, em concertos de orquestras e gravações.  

A reflexão levou-o, primeiro, a mudar-se para o Canadá, onde é hoje professor e diretor da big band da Universidade de Montreal. Em seguida, veio o entusiasmo para criar este álbum, condensação de uma história iniciada em Mogi Mirim, no interior de São Paulo,

Foi lá que, a partir dos anos 1980, Lenhari ouviu canções em fitas K-7 no Fusca dos pais; foi lá que começou a tocar flauta doce, a ler partituras, a fazer parte da Banda Lyra Mogimiriana como trompetista.

Depois ele experimentou caneladas e fraturas em cinco times de futebol e, num teste de admissão para a Polícia Rodoviária, tomou cartão vermelho por absoluta falta de pendor para defender as cores da corporação.

A música chamou-o de volta. Lenhari estudou no Conservatório de Tatuí e na Universidade Estadual de Campinas, tocou em casamentos, em bailes. Ouça: tudo está presente nas cinco faixas de The Last Minute.

Para a gravação, o trompetista convidou os amigos Vitor Cabral (bateria), Thiago Alves (contrabaixo), Marcos Romera ( piano), Raphael Ferreira e Giullaume Carpentier (saxofones).

Num único encontro, eles fizeram um passeio não editado por ambientes diversos - jazz, baião e samba, com visitas à latinidade. Por intermédio dos instrumentos, trocaram passes, ideias, percorreram veredas. Fizeram música.


 https://open.spotify.com/track/10hxyqGQqjeq6bCCt65MKY?si=oIYc0BDTQzGdvGioPjx-QQ



terça-feira, 26 de maio de 2026

Doce Veneno, 50 anos de estrada

 Por Fernando Lichti Barros


  Pode escrever: aos primeiros acordes d´O Fantasma da Ópera, a Doce Veneno levará o público ao delírio. Sempre que a banda toca é assim, e na certa não será diferente no primeiro sábado de junho, quando o sexteto estiver no coreto da praça de  Ribeirão Bonito, a cidade onde nasceu, para comemorar 50 anos de carreira.

Não, você não leu errado. Faz meio século que, de São Paulo a Goiás, do Paraná e Minas Gerais ao Rio de Janeiro, o grupo apresenta shows para todos os gostos. Rock, samba, sertanejo, salsa, pop, trilhas de novela, clássicos da canção italiana, tributos ao Clube da Esquina, Queen, Roupa Nova ou Elis Regina: a Doce Veneno leva aonde for chamada o seu repertório de sete mil músicas. E, atenção: se alguém precisar de canto gregoriano, é só chamar.

Do profano ao sagrado, em todo tipo de ambiente a banda, sediada em São Carlos, já mostrou seu extraordinário entrosamento – em salão de baile, em circo, em bar, praça,  igreja, velório, quermesse, num comício, num bordel.

O líder Wagner Muccillo (arranjos e teclados), mais os companheiros Neto (sax), Claudinho (baixo), Sérgio (bateria), Maicon (guitarra, em substituição a Maik, falecido em 2022) e a mais nova integrante, a cantora Soraia, continuam na estrada. 

Num bar, num clube, numa praça, a qualquer hora, lá estão eles, firmes no exercício da profissão.  

Vida longa, muito mais longa, à Doce Veneno.