quinta-feira, 4 de agosto de 2022

O movimento da maré

Por FERNANDO LICHTI BARROS

A vida tem dessas coisas: quando menos se espera, a beleza se reapresenta. Em caminhos melódicos, ela desnorteia a estupidez, deixa-a reduzida à sua vociferante insignificância e traz de volta, moldurada por acordes, a poesia que leva o pensamento a voar para qualquer tempo, qualquer lugar. Por exemplo, a São Paulo dos anos 1960.

Você pode ouvir Adylson Godoy, Dino Galvão Bueno ou Theo de Barros em lugares diversos numa boate, num inferninho, na Baiúca ou no Galo Vermelho; na televisão, n´O Fino da Bossa ou nos festivais; no teatro, em Morte e Vida Severina ou em Arena Conta Zumbi. Você pode reencontrá-los juntos, mais de meio século depois, num disco em que trazem revisitações e novidades.

Repare: os arranjos foram tratados com um capricho indiferente à pressa, os músicos convidados são ótimos, a produção é cuidadosa. E há, claro, a presença brilhante de Adriana, Anita e Ricardo, os filhos que levam adiante a arte herdada de Adylson, Dino e Theo.

Mais que um encontro de gerações, eis aqui o movimento da maré, a canoa solta na corrente.  

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